Para que serve tirosina? Benefícios e propriedades | NutriTienda

A tirosina é um aminoácido não essencial, forma parte das proteínas e considera-se um aminoácido aromático. A sua síntese produz-se a partir da hidroxilação da fenilalanina sempre e quando contenha um teor adequado deste aminoácido.

O nome tirosina (tyros) significa queijo em grego e este aminoácido deve o seu nome a isso, já que foi descoberto por primeira vez na proteína do queijo, a caseína. A cadeia lateral da tirosina é um grupo fenólico e se conhecem três isómeros diferentes do aminoácido tirosina: para-tirosina, meta-tirosina e orto-tirosina. Embora a forma mais conhecida e estudada seja a para-tirosina ou também chamada L-tirosina.

A tirosina é precursora de hormonas tiroideias (tiroxina), de catecolaminas (dopamina, adrenalina e noradrenalina) e da melanina, que é o pigmento responsável da coloração do cabelo e da pele. A função das catecolaminas está mediada pela sua união a diferentes receptores (receptores alfa-adrenérgico, beta-adrenérgico ou dopaminérgico). Em função do receptor ao que se unam, terão diferentes efeitos fisiológicos. As catecolaminas e as hormonas tiroideias têm um papel importante no metabolismo e na regulação do peso corporal.

A tirosina também pode degradar para obter energia, gerando no seu metabolismo fumarato e acetoacetato.

  • O fumarato pode ser utilizado para produzir energia no ciclo de Krebs ou bem ser utilizado para formar glicose por gliconeogénese.
  • O acetoacetato pode ser utilizado para a síntese lipídica ou para a produção de energia em forma de acetil CoA.

A tirosina está presente de forma natural nos alimentos de origem animal como a carne, pescada, laticínios e ovos, assim como em alimentos de origem vegetal como legumes, sementes, cereais integrais, amêndoas, acelga, maçã, espargos, abacates, cenouras, alface, espinafres, produtos de soja, melancia, pepino, salsa e agrião.

Os contracetivos orais podem diminuir a quantidade de tirosina no organismo, de modos que pode resultar necessária a suplementação com tirosina. Em alguns transtornos como o apetite compulsivo, anorexia e bulimia aconselha-se usar diversos suplementos (vitaminas do complexo B, minerais e oligoelementos, picolinato de crómio, prebióticos, onagra, antioxidantes…) e entre eles incluem-se também os aminoácidos glutamina, fenilalanina e tirosina.

Aplicações

A suplementação com tirosina visa manter os níveis adequados deste aminoácido e conservar a saúde do sistema nervoso como em casos de depressão, défice de atenção, hiperatividade, narcolepsia, stress e insónia ou melhorar o estado de ânimo.

A sua suplementação também pode reduzir os efeitos do stress e o cansaço, principalmente em circunstâncias de stress mental e físico. O stress agudo pode esgotar as concentrações de norepinefrina, e a suplementação com tirosina reduz os sintomas graças à estimulação da produção desta hormona. Além disso, a tirosina poderia aumentar a concentração de norepinefrina no hipocampo, este fator está relacionado com a prevenção da perda de memória associada ao stress.

Por outro lado, as catecolaminas também podem atuar no cérebro como antioxidantes e neuroprotetores, estuda-se a L-tirosina como método para diminuir a perda de catecolaminas que se produz normalmente em estados de demência.

Do mesmo modo, a tirosina emprega-se para favorecer o controlo do apetite, já que as catecolaminas regulam a saciedade entre refeições, também contribuem para a redução da gordura corporal, pois favorecem a síntese de hormonas como a tiroxina ou as catecolaminas. Estas hormonas estimulam a lipólise por aumento do AMPc, que ativa a lipase para produzir ácidos gordos a partir dos triglicéridos armazenados.

A tirosina emprega-se também em suplementos com cafeína ou estimulantes, já que a tirosina melhora os efeitos destas substâncias. Além disso, ajuda também a conseguir uma sensação de bem-estar e a reduzir a sensação de nervosismo que pode aparecer com o consumo de estimulantes.

A tirosina é empregada em casos de fenilcetonúria para conseguir satisfazer as necessidades de tirosina sem fornecer fenilalanina, aminoácido que sim devem evitar estes pacientes. A tirosina também se utiliza para a manutenção do sentido da vista, a função cerebral e o desejo sexual, combater transtornos como as alergias ou melhorar o bronzeado. Outros usos incluem transtornos do sistema cardiovascular ou síndrome pré-menstrual, embora não haja muitos estudos a este respeito.

Dosagem

Os estudos da FAO sobre as necessidades, indicam dados acerca das necessidades totais de aminoácidos aromáticos (fenilalanina e tirosina) e a sua recomendação é de 25 mg/ kg/dia entre ambas.

Como suplemento e para aumentar o estado de alerta em casos de insónia, foram descritas doses de 150 mg/kg/dia.

Em casos de fenilcetonúria a recomendação é de 6 gramas de tirosina por cada 100 gramas de proteína ingerida.

Precauções

A tirosina em quantidades alimentares é provavelmente segura, assim como em adultos com doses de até 150 mg/kg por períodos não superiores a 3 meses. Um consumo excessivo de tirosina pode produzir efeito laxativo.

A tirosina melhora os efeitos da cafeína e dos estimulantes, este fator deve ser tido em conta quando se combinam estas substâncias. As pessoas com afeções hepáticas ou renais não devem ingerir grandes quantidades de aminoácidos sem as recomendações de um profissional de saúde. Não há dados acerca da sua segurança durante a gravidez ou lactação, sendo assim, salvo prescrição médica aconselha-se evitar o consumo de produtos que contenham tirosina.

Desaconselha-se também o seu consumo em casos de hipertiroidismo, caso estiver a empregar hormonas tiroideias ou fármacos inibidores da MAO (monoaminaoxidase). O seu uso também está desaconselhado em caso de melanoma maligno ou em caso de consumo de levodopa (tratamento da doença de Parkinson).

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