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Para que serve Pycnogenol? Benefícios e propriedades | NutriTienda

sexta, 1 de janeiro de 2010

Inicialmente, o termo pycnogenol foi criado para denominar a um grupo completo de compostos fenólicos, na atualidade o Pycnogenol® utiliza-se única e exclusivamente para denominar a um produto patenteado de extrato de casca do pinheiro marítimo francês (Pinus pinaster) elaborado por Horphang Research; produto rico em substâncias antioxidantes cujo nome e processo de elaboração estão registados com patente.

O Pycnogenol® vem a ser utilizado na Europa há anos atrás pelas suas qualidades como antioxidante e se encontra entre os suplementos alimentares “top vendas” nos Estados Unidos graças às suas múltiplas propriedades e benefícios. Existem obras literárias com mais de 2000 anos de antiguidade que fazem referência ao emprego da casca de pinheiro marítimo francês. O extrato de pinheiro norte-americano, era utilizado pelos índios nativos para tratar as constipações, a inflamação e o reumatismo. Em 1535 um grupo de exploradores liderados por Jacques Cartier ficou isolado e incomunicado num duro e frio inverno no agora conhecido como Quebec (Canadá). Sem consumirem frutas nem vegetais, a deficiência de vitamina C deu lugar a uma doença chamada escorbuto e começaram com hemorragias nas gengivas e desestabilização dos dentes. Então foi quando os índios nativos lhes ofereceram uma infusão feita a partir da casca do pinheiro marítimo francês da zona e em poucos dias curaram-se da hemorragia e os sintomas desapareceram. Este relato chegou a mãos do doctor Jack Masquelier a meados do século XX, que ficou intrigado por quais seriam os compostos responsáveis daquela cura quase mágica e assim nasceu o Pycnogenol®.

O Pycnogenol® extrai-se da casca exterior do Pinus pinaster variedade atlântica. Esta variedade de pinheiro se diferencia das variedades ibéricas e marroquinas pela sua resistência à água salgada e o seu teor de compostos químicos, sendo especialmente rico em procianidinas. As árvores utilizadas para elaborar o Pycnogenol se cultivam no sul da França, dos quais obtém-se a casca após terem feito 30 anos de idade. O processo de elaboração do Pycnogenol começa com a pulverização da casca, da que posteriormente se extraem os compostos com uma mistura de etanol e água num processo que permite obter um produto de alta qualidade com um teor padronizado de procianidinas entre 65 e 75%.

Composição química.

O Pycnogenol é rico em substâncias antioxidantes de carácter fenólico como a procianidinas, catequina, epicatequina ou os ácidos fenólicos.

As procianidinas representam um subgrupo de proantocianidinas (também conhecidas pelas siglas em inglês OPCs (oligomeric proanthocyanidins complexes). As proantocianidinas estão presentes numa grande variedade de frutas, vegetais, sementes, frutos secos, flores e cascas vegetais. São por exemplo, as substâncias responsáveis da adstringência do chá e do vinho e também se encontram nos frutos vermelhos ou plantas como o Ginko biloba e o pinheiro branco.

As procinidinas são compostos fenólicos complexos formados por cadeias polimerizadas de catequina e epicatequina. As cadeias de procianidinas do Pycnogenol, estão formadas por um número entre 2 e 8 moléculas. Também está presente a taxifolina, considerada uma procianidima monomérica, ou seja, está formada unicamente por uma molécula que pode estar presente em forma livre ou em forma de glicósido.

As proantocianidinas mostram efeitos antibacterianos, antivíricos, anticancerígenos, anti-inflamatórios e vasodilatadores. Estes compostos são capazes de inibir a oxidação das gorduras, reduzir a agregação plaquetária, diminuir a permeabilidade e fragilidade das veias e modificar a atividade das enzimas implicadas nos processos de inflamação e oxidação dos lípidos.

Os ácidos fenólicos presentes no Pycnogenol são derivados do ácido benzoico (protocatequina, ácido gálico, ácido vainillínico…) e derivados do ácido cinâmico (ácido cafeico, ácido felúrico e ácido cumárico).

Mecanismos de ação do Pycnogenol.

  • Poder Antioxidante e anti-inflamatório.

Os compostos polifenólicos do extrato de pinheiro marítimo francês como o Pycnogenol, oferecem proteção contra os radicais livres. A maior parte das suas propriedades antioxidantes devem-se aos compostos fenólicos como as proantocianidinas.

O Pycnogenol demonstrou em diferentes estudos a sua capacidade de proteger as células vasculares frente à oxidação, aumentar os níveis intracelulares de glutatião e aumentar a atividade das enzimas antioxidantes como a superóxido dismutase.

O seu poder antioxidante está também muito relacionado com a inibição de enzimas pró-inflamatórias e a redução da formação de substâncias que favorecem a inflamação. O Pycnogenol® inibe a expressão de enzimas como a lipoxigenase e pode reduzir a concentração de substâncias pró-inflamatórias como os leucotrienos.

  • Proteção venosa e produção de óxido nítrico.

As proantocinidinas têm afinidade pelas células com glicosaminoglicanos, situadas nos tecidos como a pele, a parede vascular ou a mucosa intestinal. Graças à esta qualidade, o Pycnogenol® reduz as micro-hemorragias e a formação de edemas nos vasos sanguíneos, melhorando a função vascular e a circulação periférica.

O óxido nítrico oferece proteção frente à agregação plaquetária e a oxidação dos lípidos plasmáticos. O Pycnogenol® estimula a produção de óxido nítrico (NO), favorecendo a vasodilatação e a microcirculação, e por sua vez, o seu poder antioxidante contribui para a formação deste composto.

Benefícios da sua contribuição

Sistema cardiovascular.

O uso mais reconhecido do Pycnogenol® está relacionado com o cuidado do sistema cardiovascular. Além do seu poder antioxidante, o Pycnogenol apresenta diferentes efeitos benéficos sobre o sistema cardiovascular como a capacidade de aumentar a síntese do óxido nítrico. O óxido nítrico favorece a relaxação e a vasodilatação dos músculos que envolvem os vasos sanguíneos e reduz a agregação plaquetária.

O Pycnogenol contribui também para o cuidado endotelial e é muito útil em casos de veias com varizes ou frágeis com tendência a quebrar-se facilmente. A suplementação com Pycnogenol® reduz a inflamação, o edema, a dor, as cãibras e a sensação de pernas pesadas derivadas de insuficiência venosa e má circulação.

Também serve para casos de aterosclerose, devido à sua capacidade de melhorar a circulação (reduz a vasoconstrição) e de neutralizar os radicais livres, protegendo as gorduras plasmáticas contra a sua oxidação. Além disso, ajuda a melhorar o perfil lipídico sanguíneo reduzindo os níveis de colesterol LDL e aumentando os níveis de colesterol HDL. Vários estudos sugerem o seu efeito protetor em alterações cardiovasculares e observaram como pode ajudar a reduzir a inflamação das pernas ou a formação de trombos durante os voos prolongados.

Também graças à sua capacidade de aumentar a produção de óxido nítrico, o consumo de Pycnogenol ajuda a normalizar os níveis de pressão arterial em pessoas com hipertensão moderada. Foram realizados estudos em pessoas com hipotensão e chegou-se a observar que a pressão arterial reduz apenas nas pessoas cujos níveis encontram-se altos, de modo que as pessoas com a pressão arterial baixa podem consumir Pycnogenol sem nenhum problema.

Outra das aplicações do Pycnogenol seria na diabetes, onde além de contribuir para o controlo da glicose plasmática, a sua suplementação exerce também um papel protetor dos vasos sanguíneos e reduz o risco cardiovascular. Também é capaz de reduzir o risco cardiovascular em pessoas com síndrome metabólica.

Diversos estudos observaram que o consumo de Pycnogenol pode normalizar a agregação plaquetária em pessoas com risco cardiovascular, sendo por exemplo muito recomendável em pessoas que fumam ou com tendência a sofrer trombos, úlceras causadas por má circulação e outras alterações de tipo venoso como as hemorroidas.

Retinopatia diabética e desordens da retina.

As substâncias antioxidantes do Pycnogenol protegem os vasos capilares, sendo de grande ajuda para as pessoas com alterações microcirculatórias na retina e ajudando também a proteger e a melhorar a vista destas pessoas

Rendimento desportivo e sistema muscular.

Consumir Pycnogenol pode ajudar a alcançar melhores resultados nos treinos de acondicionamento físico geral. 100 mg ao dia de Pycnogenol com um treino adequado, melhora as adaptações e os resultados do treino. Além disso, o Pycnogenol também reduz o stress oxidativo que geram os treinos.

A suplementação com Pycnogenol também pode ser muito útil para os desportistas de resistência, podendo conseguir melhor tempo nos treinos e provas como o triatlo. Inclusive num estudo recente chegou-se a obter melhorias significativas com uma só dose de um complexo antioxidante que continha Pycnogenol, consumido por ciclistas profissionais antes de uma prova de resistência, aumentando o tempo do surgimento da fatiga.

Além disso, os estudos observaram como o Pycnogenol® também pode ajudar a prevenir as cãibras e a dor muscular, quer em repouso quer durante e depois do exercício físico; especialmente naquelas pessoas com tendência a sofrer cãibras, dor muscular ou com alterações circulatórias ou diabéticas.

Sistema articular.

As articulações estão sujeitas a um desgaste inevitável que junto ao surgimento de pequenos microtraumas contribuem para a sua degradação degenerativa que começa com processos inflamatórios, continua com redução da flexibilidade articular e finalmente aparece a dor e redução da capacidade de movimento. Não é de estranhar que as pessoas de idade avançadas sofram de dores articulares, porém, a dor articular também tem sido muito comum em pessoas com desgastes articulares elevados como é o caso dos desportistas.

A inflamação aumenta a produção de substâncias que danificam os tecidos e as células, por uma parte como consequência do dano oxidativo. O Pycnogenol atua sobre vários pontos chave no processo de dano articular de tipo artrítico. Por um lado reduz a ativação dos processos inflamatórios, reduz a produção de enzimas que degradam a cartilagem articular e também, reduz a atividade das enzimas envolvidas no surgimento da dor. Em resume, menos inflamação, menos dano à cartilagem e redução da dor.

Em pessoas que sofrem de osteoartrite, a suplementação com Pycnogenol diminui os níveis de um marcador de inflamação denominado proteína C reativa, assim como a produção de espécies reativas de oxigénio (radicais livres). Os dados dos estudos realizados observam redução da dor, melhora da funcionalidade e alivio da rigidez. Outro fator importante que se observou em relação à osteoartrite é que reduz-se a necessidade de consumir analgésicos até 58%. Os efeitos do Pycnogenol começam a ser notáveis no transcurso de um mês, mas os melhores resultados aparecem a partir do segundo mês de suplementação.

Pele.

Como referimos acima, o Pycnogenol tem uma afinidade especial pelas células da pele, assim como pelas proteínas de colágeno e elastina, graças a isso, a suplementação com Pycnogenol melhora a elasticidade da pele e o seu aspeto. Contudo, também melhora a microcirculação da pele melhorando a sua oxigenação, luminosidade e atenuando os sinais do envelhecimento.

O Pycnogenol pode ajudar bastante na redução do melasma, uma alteração de hiperpigmentação na pele que afeta mais às mulheres. O Pycnogenol reduz o tamanho (37%) e a intensidade destas manchas (22%). O extrato de pinheiro marítimo francês também reduz as manchas provocadas pelos raios ultravioletas à pele, processo denominado como fotoenvelhecimento.

O Pycnogenol também pode reduzir a reação de vermelhidão que aparece como consequência da exposição ao sol e aumentar a resistência da pele aos raios solares. Por último, o Pycnogenol também melhora os sintomas alérgicos como eczema, a psoriase, a dermatite de contacto ou as dermatoses derivadas do stress oxidativo.

Asma e alergia.

Graças às suas propriedades anti-inflamatórias, o consumo de Pycnogenol pode ajudar a melhorar os sintomas da asma e melhorar a função respiratória. Os estudos realizados observaram que o Pycnogenol contribui para reduzir as doses e/ou a frequência de administração de medicamentos para asma. O Pycnogenol também pode ajudar a reduzir os sintomas da alergia primaveril como a rinite ou prurido ocular.

Pycnogenol e a saúde feminina.

O Pycnogenol mostrou em inúmeros estudos servir para o alivio da dor menstrual e pré-menstrual, os efeitos do Pycnogenol sobre o alivio da dor menstrual puderam ser observados apenas após 14-30 dias do início da suplementação.

O Pycnogenol® mostrou também que pode ajudar a melhorar uma grande variedade de sintomas associados à menopausa tais como: as dores de cabeça, insónia, dor nos seios, formigueiro nas extremidades ou comichão na pele.

Outros benefícios.

Consumido com L-arginina aspartato pode melhorar a função sexual em homens com alterações da ereção e melhorar a fertilidade masculina. O Pycnogenol também pode melhorar o sangramento das gengivas e reduzir a formação da placa dentária, a percepção de ruídos nos ouvidos nas pessoas que sofrem de tinnitus, melhorar a atenção em pessoas com hiperatividade e o rendimento cognitivo em pessoas com um alto grau de stress profissional. Também ficou demonstrado que é efetivo no alivio da enxaqueca e que exerce um efeito benéfico frente ao glaucoma.

Dosagem

A dose vai depender do fim para o qual é administrado o Pycnogenol®. Por exemplo, considera-se que os seus benefícios como antioxidante começam a surtir efeito a partir de 20-25 mg ao dia. Quando o objetivo é exercer uma proteção geral do sistema cardiovascular, utiliza-se entre 25-200 mg/dia e quando existe risco cardiovascular aumenta-se a dose até 120-360 mg/dia. Os estudos que observaram uma normalização da função plaquetária e a pressão arterial utilizaram quantidades entre 150-200 mg.

Quando se utiliza o Pycnogenol como anti-edematoso e para reduzir a retenção de líquidos e a inchação nas pernas recomenda-se 50 mg/dia, podendo chegar a ser de até 100-300 mg/dia quando os sintomas são muito agravantes ou quando se trata de ajudar um caso de insuficiência venosa severa. As doses aumentadas podem ser reduzidas a doses de manutenção de 50 mg quando se alcança a melhoria, geralmente transcorridas umas 4-8 semanas.

Para obter os benefícios do seu efeito anti-inflamatório, principalmente na dismenorreia, seria adequado aplicar 30-60 mg ao dia. Quando se deseja melhor a hiperpigmentação, administra-se 75 mg ao dia, e para o cuidado do sistema locomotor, como a osteoartrite ou as cãibras musculares, utilizam-se quantidades de 100-200 mg/dia, enquanto para os casos de asma recomenda-se quantidades de 2.2 mg/kg dia, podendo alcançar os 200 mg/dia.

Outros estudos analisaram o efeito combinado do Pycnogenol® com outros ingredientes antioxidantes como a coenzima Q10, chegando a observar que resulta uma boa combinação, com boa tolerância e sem efeitos secundários.

Precauções

O Pycnogenol é bem tolerado e não costuma ter efeitos secundários. O extrato de pinheiro marítimo francês, considera-se seguro e está reconhecido como substância GRAS nos Estados Unidos (Generally Regarded As Save). Como consequência do seu sabor amargo e adstringência, em alguns casos isolados podem aparecer desconfortos gastrointestinais como diarreia ou prisão de ventre. Para reduzir estes efeitos secundários menores, recomenda-se consumir o Pycnogenol com alimentos.

Existem mais de 70 estudos que endossam a segurança do Pycnogenol® nas doses recomendadas que incluem mais de 5700 pessoas, tanto saudáveis como pessoas com patologias associadas; e até a data, não se deu a conhecer nenhum efeito adverso nem contraindicações importantes. Também não há motivos para pensar que exista alguma limitação quanto ao período de consumo. Considera-se que consumir de 20 a 100 mg de forma prolongada ou até mesmo 300 mg durante períodos curtos é seguro e não provocam toxicidade. O Pycnogenol conta com estudos de segurança que demonstram a ausência de mutagénese, teratogénese nem efeitos negativos sobre a fertilidade.

Contudo, desconhecem-se interações com algum medicamento, com o álcool ou alimentos. No entanto, como precaução, recomenda-se ter cuidado com algumas combinações. Por exemplo: como o Pycnogenol pode melhorar a captação de glicose, recomenda-se ter precaução às pessoas com tendência a sofrer hipoglicemia, especialmente se consomem medicamentos ou outros suplementos alimentares que reduzem os níveis de glicose no sangue. Do mesmo modo, embora não haja constância de que o Pycnogenol aumente a tendência a sangramentos nem o efeito de medicamentos como a aspirina, alguns autores recomendam ter precaução quando se consome junto com medicamentos antiagregantes como a warfarina ou a heparina, já que pode ser necessário ajustar as doses dos medicamentos. Igualmente recomenda-se precaução ao combinar o Pycnogenol® com Ginko biloba, e em menor medida, com o alho ou saw palmetto.

Por falta de estudos que verifiquem a sua segurança, de forma global, desaconselha-se o seu uso em crianças e em mulheres grávidas ou em período de amamentação.

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