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Para que serve L-Carnitina? Benefícios e propriedades | NutriTienda

sexta, 1 de janeiro de 2010

¿Para que serve la L-Carnitina?

A L-carnitina (também denominada 4-trimetilamino-3-hidroxibutirato ou ácido β-hidroxi-γ-trimetil aminobutírico) é um composto nitrogenado cuja estrutura química é parecida à  dos aminoácidos, mais trata-se concretamente de uma amónia quarternária.

A carnitina se sintetiza a partir do aminoácido lisina no fígado, rins e cérebro. Durante este processo a lisina sofre uma metilação graças à molécula SAMe e além disso, para que a síntese de carnitina seja possível, é necessária a presença do ferro, magnésio, vitamina C, vitamina B3 e vitamina B6. Alguns metabolitos intermédios da formação da L-carnitina são o gama-butirobetaína e a N-trimetil-lisina.

A L-carnitina tem diferentes campos de ação e a sua principal função é permitir a obtenção de energia. Trata-se de um elemento chave para a oxidação dos ácidos gordos de cadeia longa, introduzindo-os no interior da mitocôndria para libertar energia em forma de ATP (trifosfato de adenosina).

Há que esclarecer que a L-carnitina não é um queimador de gorduras, senão um transportador que permite que as gorduras sejam utilizadas como fonte de energia. Sem a L-carnitina, os depósitos de gordura não podem ser utilizados e permanecem armazenados nas células do tecido gordo e na corrente sanguínea.

Por sua vez, a L-carnitina está envolvida na formação de cetonas e na utilização dos aminoácidos ramificados como fonte de energia. Outras qualidades da L-carnitina são a de ser antioxidante, melhorar a irrigação sanguínea ou melhorar o metabolismo da glicose.

O 90% deste composto encontra-se nas células cardíacas e no músculo esquelético e por conseguinte o seu défice pode afetar ao funcionamento normal do coração e dos músculos.

Alguns indivíduos necessitam suplementos nutricionais de carnitina para manter um metabolismo normal, o qual indica claramente o papel essencial desta substância. De facto, em ocasiões a síntese endógena não é suficiente para cobrir as necessidades e pode ser considerada como um nutriente essencial.

A deficiência de carnitina classifica-se em:

  • Miopática: é a mais habitual e afeta só ao tecido muscular. Os sintomas mais comuns são fatiga muscular, cãibras e libertação da mioglobina ao plasma sanguíneo após a realização de exercício.
  • Deficiência sistémica: afeta às células de todo o corpo. Dá-se em muito raras ocasiões.
  • Deficiência crónica: pode gerar hipoglicemia, cansaço, pouco tónus muscular e estado de letargo.

Algumas das causas conhecidas da deficiência de L-carnitina são:

  • Deficiência dos seus precursores (lisina ou metionina).
  • Deficiência de ferro, vitamina C, vitamina B3 ou vitamina B6.
  • Falha genética na síntese de carnitina.
  • Má absorção.
  • Problemas hepáticos ou renais. Especialmente se realiza-se diálise.
  • Defeitos na transportação de carnitina.
  • Aumento das necessidades (dietas demasiado abundantes em lípidos, stress, consumo de substâncias tóxicas ou por causa de certas doenças).

Alguns grupos são especialmente sensíveis à falta de L-carnitina.

  • As crianças recém-nascidas não têm a regulação da síntese suficientemente desenvolvida, por esta razão as fórmulas infantis vão incorporando L-carnitina.
  • Durante a gravidez (especialmente a partir da 12ª semana) podem ver-se reduzidos os níveis de L-carnitina. Complementar a dieta com 500 mg de L-carnitina reduz estas deficiências.
  • As pessoas de idade avançada também costumam apresentar deficiências de L-carnitina.
  • As pessoas vegetarianas e veganas têm maior risco de carências de carnitina. Nestas pessoas a taxa de absorção da carnitina está aumentada para tentar compensar o seu baixo consumo, mas esta medida é insuficiente. Garantir um consumo adequado de lisina e metionina é muito importante e pode ser necessário avaliar a necessidade de consumir L-carnitina em forma de suplemento alimentar.

Para prevenir carências deve-se seguir uma alimentação variada e balançada. A presença de L-carnitina (levocarnitina) nos alimentos é baixa, especialmente nos alimentos de origem vegetal.

As principais fontes de L-carnitina são:

  • Origem animal: carnes (ovino: 210 mg/kg, bovino: 60mg/kg, suíno: 27 mg/kg), pescado (5 mg/kg) e laticíneos (2 mg/L).
  • Origem vegetal: a maioria de alimentos vegetais apresentam quantidades mínimas de L-carnitina embora o maior teor contenham o amendoim, abacate, germe de trigo e levedura de cerveja.

O térmo “carnitina” engloba diferentes formas de carnitina como as formas L e D, acetil L-carnitina e propionil L-carnitina. A única forma isomérica ativa de carnitina é a L-carnitina. É melhor evitar as formas D-carnitina ou racêmicas (mistura da forma L e D), já que podem interagir com a atividade da forma L ativa. Em outras formas de carnitina como a acetil L-carnitina ou a propionil L-carnitina, os grupos acetil e propionil são separados para obter a L-carnitina realizando as funções próprias da L-carnitina.

A Carnitina pode ser adicionada aos alimentos ou complementos dietéticos em diferentes formas: L-carnitina, L-carnitina cloridrato, L-carnitina L-tartrato, acetil L-carnitina e propionil L-carnitina (geralmente unida à glicina).

A L-carnitina L-tartarato é uma forma estabilizada de L-carnitina. Contém cerca de 70% de L-carnitina e tem uma maior vida útil do que a L-carnitina. A velocidade de absorção é ligeiramente superior a outras formas de L-carnitina. Tanto a L-carnitina como a L-carnitina L-tartrato são altamente solúveis em água e podem ser encontradas en forma líquida.

A biodisponibilidade da L-carnitina nos suplementos é menor em relação a L-carnitina dos alimentos, não obstante esta desvantagem é compensada com dose maiores de L-carnitina, conseguindo-se absorções totais líquidas muito maiores do que as fontes alimentares.

Benefícios da sua contribuição

Desporto e atividade física:

A L-carnitina é utilizada como suplemento energético, aumenta o subministro de energia aos músculo favorecendo um fluxo maior de sangue na zona, atua sobre o metabolismo dos aminoácidos ramificados na desintoxicação de amoníaco e na produção de ureia, pontos críticos para o alto rendimento.

Por outra parte, a suplementação com L-carnitina aumenta a produção de cetonas que impedem o catabolismo proteico, poupam glicose e glicogénio muscular e estimulam a segregação de hormona de crescimento.

A suplementação com L-carnitina aumenta o fator de crescimento IGF1, que regula a expressão de genes relacionados com o catabolismo proteico, estimula a síntese proteica e bloqueia o catabolismo. Por tanto a L-carnitina favorece o anabolismo sempre que for acompanhada de treino e uma dieta adequada (este mecanismo está mediado pela ativação de mTOR).

A sua capacidade anticatabólica e de estimulação do anabolismo pode ser de grande utilidade tanto em aspetos desportivos como para combater a degradação muscular produzida em patologias como o cancro ou doença renal.

Outro aspeto da L-carnitina relacionado com o desporto é a sua capacidade de combater a fatiga permitindo a combustão das gorduras nos músculos, com a conseguinte poupança de glicogénio. Melhora o rendimento, a recuperação e reduz o dano do tecido muscular.

Durante a realização de exercícios pesados e repetitivos os níveis de carnitina diminuem e o consumo de L-carnitina também contribui para o seu equilíbrio.

Perda de peso:

As dietas de emagrecimento são outras situações onde a L-carnitina é muito utilizada devido à sua capacidade de mobilizar as gorduras para a obtenção de energia. Se a dieta baixa em calorias for suplementada com carnitina, promove-se a perda de gordura corporal e conserva-se o músculo, sobretudo se existe um défice prévio de levocarnitina (L-carnitina).

Outras aplicações terapêuticas:

A L-carnitina é fundamental para o ótimo funcionamento do coração e é recomendada em situações de insuficiência cardíaca, angina de peito, enfarto, afeções vasculares, etc. Isto deve-se a que a L-carnitina em forma de suplemento alimentar favorece a contração das células musculares cardíacas, é um vasodilatador e também antioxidante. Entre 2 e 3 gramas de L-carnitina melhoram o perfil lipídico, diminuindo a concentração de colesterol e os triglicéridos no sangue.

A L-carnitina também foi relacionada com a funçao cerebral, já que intervém na produção de Acetil Co A, necessária para fabricar Acetilcolina (neurotransmissor cerebral). A suplementação com L-carnitina reduze a fatiga física e mental, melhora as funções cognitivas das pessoas de idade avançada, melhora a fatiga de doenças catabólicas e a síndrome de fatiga crónica.

O consumo de 2 gramas ao dia de L-carnitina pode melhorar a sensibilidade à glicose, reduzir a diabetes gestacional e a síndrome metabólica. Esta ação parece estar relacionada com a extração de grupos acil e acetil fora da célula para ser finalmente excretadas na urina. A acumulação destes metabolitos e de ácidos gordos livres pode derivar em resistência à glicose. Altas doses de L-carnitina parecem favorecer a excreção destas substâncias em forma de corpos cetónicos na urina em um processo denominado dumping. Níveis mais baixos de moléculas relacionadas com o metabolismo dos ácidos gordos, melhoram a sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose. Este efeito é potenciado se consome-se conjuntamente com colina e cafeína.

A L-carnitina também mostrou-se efetiva para melhorar os recontos de células imunes em pacientes com VIH sem tratamento e para reduzir os efeitos secundários dos fármacos antirretrovirais. Outras aplicações relacionadas com a L-carnitina são combater a fatiga própria da doença celíaca e a prevenção e tratamento do hipertiroidismo.

Por último, inúmeros estudos apoiam o seu uso nas práticas clínicas para melhorar a fertilidade masculina, aumentando a qualidade e mobilidade do esperma (3 gramas ao dia durante 4 meses). A suplementação com L-carnitina L-tartarato (2 gramas) também melhora a sensibilidade dos recetores da testosterona.

A L-carnitina é empregada também para o tratamento da anorexia nervosa para reduzir a fatiga, acelerar o ganho de massa muscular e melhorar o estado dos pacientes.

Dosagem

Não foram determinados valores de ingestão diária recomendada.

A L- carnitina pode ser subministrada por via oral e parenteral (intramuscular ou intravenosa), mas para ser considerada como complemento dietético deve ser consumida apenas por via oral.

A dose terapêutica habitual é de 1-2 g (50-100 mg/kg/dia) distribuídos em 2 ou 3 tomas ao dia.

Em atividades desportivas as doses utilizadas são 750-1.000 mg/dia 60 minutos antes da atividade aeróbica.

Os recetores intestinais parecem saturar-se com doses de 2 gramas quando se realiza em uma só toma, de modos que doses maiores não parecem apresentar vantagens, em seu lugar recomenda-se repartir essa quantidade em várias doses ao dia. A concentração máxima de L-carnitina tem lugar umas 3,5 horas após a sua ingestão e a sua presença no sangue dura cerca de umas 15 horas. A segregação de insulina melhora a absorção da L-carnitina no interior da célula muscular.

Em mulheres grávidas (500mg/dia) e em idosos (2 gramas) de L-carnitina tem melhorado a fatiga e a composição corporal. Para combater a diabetes gestacional em mulheres grávidas as doses utilizadas são de 2 gramas ao dia.

Precauções

Segundo a literatura consultada, quer a L-carnitina, quer as suas formas são bem toleradas.

Os possíveis efeitos adversos se limitam à transtornos gastrointestinais leves.

Em princípio, já que se trata de uma substância natural cuja demanda tem aumentado durante a gravidez e que também forma parte da composição do leite materno, não existem restrições para o seu consumo durante a gravidez e a lactância. Não obstante, o seu consumo deve ser sempre realizado sob a supervisão de um profissional de saúde e em produtos que não contenham substâncias estimulantes como a cafeína. Foram realizados estudos com doses altas de L-carnitina de 15 g /dia sem registarar mutagénese, teratogénese nem carcinogénese.

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