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Para que serve inulina? Benefícios e propriedades | NutriTienda

sexta, 1 de janeiro de 2010

A inulina é um polissacarídeo não digerível presente naturalmente em muitas plantas, principalmente em raízes e rizomas. A inulina utilizada para os suplementos deriva da chicória.

A inulina está formada por cadeias lineais de frutose unidas por uma ligação beta (2-1), os polissacarídeos com estas características são geralmente denominados como frutanos. Os frutanos mais conhecidos são a inulina, a oligofrutose e os fruto-oligossacarídeos (FOS). A inulina é um termo geral para os polímeros de frutose de maior tamanho, já as oligofrutose e os FOS são moléculas mais pequenas, geralmente de menos de 10 moléculas de frutose. A oligofrutose e os FOS compartem semelhança mas apresentam ligeiras diferenças estruturais e variam em função da sua origem. Porém, a oligofrutose deriva da hidrólise da inulina, os FOS provêm da modificação da sacarose com enzimas microbianas.

O corpo humano carece das enzimas necessárias para degradar as ligações beta(2-1) entre as moléculas de frutose, sendo assim, os frutanos não podem ser digeridos nem absorvidos no intestino delgado, sendo considerados como fibra alimentar solúvel. Pelo contrário, se são fermentados pela microflora intestinal do intestino grosso e do cólon (probióticos), esta fermentação produz grandes quantidades de ácido láctico e ácidos gordos de cadeia curta (ácido acético, propiónico e butírico) reduzindo o pH do entorno intestinal e inibindo o crescimento de bactérias patógenas como o E. coli, Clostridium, Listeria, Shigella ou a Salmonella.

Enquanto os frutanos mais pequenos como a oligofrutose ou os FOS são metabolizados pelas bactérias ao entrarem no intestino grosso, a inulina resiste e pode alcançar zonas mais distantes do intestino para poder servir de nutriente às bactérias benéficas ao longo de uma maior porção do intestino, reduzindo alguns efeitos secundários como os gases.

Cada grama de inulina contém 1,5 kcal, derivadas dos ácidos gordos de cadeia curta libertados pelas bactérias da flora intestinal, sendo assim muito menos calórico que os carboidratos convencionais que proporcionam 4 kcal por grama.

Existem duas variedades de inulina, uma é a denominada inulina nativa que apresenta resíduos de açúcares livres, o que lhe confere um sabor ligeiramente doce e a outra é a inulina de alto rendimento (HP) que só contém inulina com um grau de polimerização de mais de 10 unidades de frutose e a que foi retirada as moléculas mais pequenas. Existem também misturas comerciais de inulina, oligofrutose e FOS como por exemplo inulina enriquecida com FOS, ou inulina HP enriquecida com Oligofrutose.

A inulina não tem sabor, não modifica o sabor original dos alimentos, melhora a textura, o paladar e a estabilidade de uma grande variedade de alimentos. A inulina tem uma textura cremosa que se identifica com a da gordura na boca, por isso tem sido utilizada como substituto das gorduras. A inulina consome-se principalmente em produtos como o leite, iogurte, pão, bolachas e gelados, criando assim alimentos funcionais, que favorecem um estado de saúde ótimo dos consumidores.

A inulina encontra-se de forma natural em produtos vegetais, principalmente na chicória, embora também em alimentos como o alho, cebola, alho-porro, alcachofra, trigo e inclusive na banana.

Benefícios da sua contribuição

Sistema digestivo e absorção de nutrientes.

A inulina tem efeito prebiótico. Ao não ser digerida ao princípio dos intestino, chega até o intestino grosso onde serve de nutriente para as bactérias probióticas (principalmente Bifidobactérias e Lactobacilos), contribuindo assim para o equilíbrio da flora intestinal, aumentando a biomassa bactériana e melhorando o trânsito intestinal.

As bactérias benéficas como as Bifidobactérias e Lactobacilos produzem de forma natural umas substâncias semelhante aos antibióticos, que contribuem para reduzir o crescimento de bactérias patógenas como a E.coli ou Salmonella.

Os ácidos gordos de cadeia curta como o ácido acético, propiónico e especialmente o butírico, servem de fonte de energia às células do cólon, estimulando a sua saúde e reduzindo o crescimento das células tumorais.

A redução do pH como consequência da produção de ácidos orgânicos, melhora a absorção de nutrientes como o cálcio e o magnésio. A absorção do cálcio melhora especialmente com o consumo de inulina HP enriquecida com oligofrutose. A melhor absorção dos nutrientes ajuda a prevenir o surgimento da osteoporose. Concretamente, um estudo mostrou que a ingestão de uma mistura composta de cálcio, vitamina D, inulina e isoflavonas de soja, melhora a absorção intestinal de cálcio e o metabolismo ósseo em mulheres pós-menopausicas.

A inulina atua como fibra dietética, contribuindo para a manutenção de um ótimo trânsito intestinal, ajudando assim a modular a absorção de glicose e gordura. A inulina interage com os ácidos biliares ajudando a reduzir a concentração de colesterol LDL.

Sistema cardiovascular.

A inulina também pode reduzir o risco de sofrer ateroesclerose associada especialmente com a resistência à insulina e a dislipemia em pessoas com hipertrigliceridemia prévia, enquanto os níveis de lípidos plasmáticos não alteram em pessoas saudáveis.

Contudo, viu-se também, que o aumento da ingestão de 3 gramas de inulina que contém uma bolacha enriquecida, reduz os níveis de colesterol LDL em pacientes obesos. Após um teste clínico aleatório duplo cego, aprecia-se que um aumento de 2 gramas por dia de inulina, 3.1 gramas por dia de FOS e 3.2 gramas por dia de ácido alfa linolénico (ALA), através da ingestão de uma bolacha enriquecida, melhora o colesterol total, colesterol LDL e aumenta os níveis de vitamina C em homens obesos.

Peso corporal.

O consumo de fibra foi relacionado com uma perda de peso corporal maior. No caso da inulina não há muitos estudos que analisem concretamente o seu efeito sobre o peso corporal, embora em alguns deles chegou-se a observar que o consumo de inulina reduz o ganho de peso corporal, em comparação com as pessoas que não a consomem.

Estudos recentes chegaram a conclusão de que o consumo de um complemento combinado de inulina e oligofrutose ao 50%, reduz a massa gorda, embora se desconheçam exatamente os seus mecanismos, os investigadores pensam que as variações na flora intestinal podem modificar os metabolitos implicados na obesidade ou na diabetes.

Outras aplicações.

Parece que a inulina poderia reduzir o risco de cancro intestinal e modular a expressão das células tumorais no cólon, crê-se que se deve a ação combinada dos subprodutos da fermentação bacteriana (ácidos gordos de cadeia curta) e a redução das enzimas implicadas no desenvolvimento do cancro.

Existem outros campos de investigação abertos como a resistência às infeções intestinais, redução das doenças inflamatórias intestinais, etc.

Aplicações

Adição de fibra aos alimentos.

A inulina não altera o sabor dos alimentos, é muito empregada para aumentar o teor de fibra de inúmeros alimentos e bebidas, embora não possam ser aplicados a alimentos ácidos.

Substituto de gorduras.

Devido à sua capacidade para modificar a textura e a sua sensação na boca semelhante à gordura, é muito utilizada para reduzir o teor de gordura dos alimentos. A inulina é muito utilizada para a produção de produtos light ou baixos em calorias como maioneses, queijos, produtos lácteos, embutidos, etc. Também para modificar a textura e aumentar a cremosidade de alimentos como gelados ou margarinas. Para esta função, é mais utilizada a inulina HP.

Substituto de açúcar.

Alguns tipos de frutanos têm sabor doce (30-50% de poder edulcorante da sacarose), embora sejam principalmente os frutanos de menor tamanho como a oligofrutose e os FOS. Embora, a inulina sem purificar também tem um ligeiro sabor doce, quando se pretende utilizar inulina como edulcorante procede-se à sua hidrólise até converter-se oligofrutose.

Dosagem

A dose mínima para conseguir efeitos é de 2,5 g ao dia. Numerosos ensaios confirmam que só se necessita de 5 a 8 gramas por dia de inulina para obter efeitos saudáveis, a partir dos primeiros 15-20 dias de consumo de inulina e que esses efeitos mantêm-se consumindo como mínimo  4 gramas ao dia. Se cessa o consumo de inulina, os efeitos benéficos sobre a flora bacteriana vão diminuindo no decorrer de duas semanas.

A recomendação diária para o consumo de frutanos, inulina e oligofrutose na Europa é de 3-11 gramas ao dia.

Precauções

O consumo de inulina considera-se geralmente seguro, e tanto a inulina como os seus derivados são considerados como ingredientes GRAS pelo FDA (Geralmente reconhecido como seguro). No entanto, valores superiores a 30 gramas ao dia costumam gerar transtorno gastrointestinais como diarreia ou gases. Por isso, a dose de inulina é limitada a 10 gramas em doses simples, e até 20 gramas/dia em doses múltiplas de diferentes produtos.

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