Será o óleo de palma o demónio das gorduras?

terça, 9 de maio de 2017

Hoje trazemos-vos um tema de candente atualidade, pois neste último mês, o óleo de palma foi tema de capa de jornais e blogs dos nutricionistas mais distinguidos do nosso país, mas…a que se deve tanta polémica? Continua a ler e descobre tudo o que não sabias e deves saber sobre o óleo de palma. 

Decanter with apple vinegar isolated on the white background

Se observamos detidamente todos os alimentos processados que há em qualquer supermercado, comprovaremos que 90% deles contém óleo de palma como ingrediente. Sem dúvida, isso nos dá uma pista sobre este óleo; é muito recorrido pela indústria alimentar, principalmente por três razões:
►É um óleo muito económico.
►É semissólido à temperatura ambiente devido ao seu nível de saturação, o que permite manter a untuosidade e consistência dos alimentos aos que é adicionado.
►Suporta elevadas temperaturas, primordial para o seu processamento, e não se oxida facilmente.

different donuts

Talvez não saibas mas, o óleo de palma é o óleo mais consumido do mundo. Provavelmente de forma inconsciente, já que está escondido na maioria dos alimentos processados. Além disso, até faz pouco tempo a indústria alimentar não estava obrigada a citá-lo no rótulo, bastava com apenas indicar que continha “óleos vegetais”, algo que praticamente confundia ao consumidor.

O óleo de palma é de origem vegetal, tal como o azeite de oliva, o óleo de girassol ou o de colza, no entanto, enquanto estes contêm ácidos gordos insaturados saudáveis, o de palma e o de palmiste contêm ácidos gordos saturados como o láurico, palmítico e mirístico, que são prejudiciais para a saúde.

Tudo isto mudou em 2014, quando entrou em vigor o Regulamento Europeu 1169/2011. Este regulamento obriga às indústrias alimentares a especificar a origem do óleo vegetal utilizado na fabricação dos seus produtos. Desta forma agora quase todos os produtos indicam no seu rótulo que tipo de óleo vegetal foi utilizando (as empresas têm até este ano de 2017 para adaptar-se à legislação). Em base a isso, o óleo de palma pode aparecer como ingrediente em muitos produtos com diferentes nomes: óleo de palmiste, gordura vegetal fracionada e hidrogenada de palmiste, estearina de palma, palmoleína ou oleína de palma, manteiga de palma ou fazendo uso do nome científico da espécie (Elaeis guineensis).

Aceite de palma

Efeitos do óleo de palma na saúde.

O problema do óleo de palma está na sua composição nutricional, já que é um óleo rico em ácidos gordos saturados. Por este motivo, diversas organizações como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) ou a Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), não recomendam o consumo elevado deste tipo de gorduras nem dos alimentos que o contêm.
Como vocês já sabem, as gorduras saturadas estão relacionadas com o alto índice de doenças cardiovasculares, especialmente com o aumento dos níveis de colesterol LDL no sangue e também com a obesidade.

De qualquer modo, o óleo de palma ganhou protagonismo nos últimos meses não pelo seu valor nutricional, senão por um comunicado da EFSA, no qual cita numerosos contaminantes presentes no óleo de palma devido ao seu processamento. Estes compostos, gerados quando o óleo de palma é exposto a elevadas temperaturas, transformam-se no nosso organismo em glicidol, um composto tóxico e prejudicial para a saúde.

Como evitar o óleo de palma?

Para evitar o consumo elevado desta gordura devemos ganhar consciência dos alimentos processados que consumimos habitualmente, já que está frequentemente presente em vários destes produtos. Evitar os alimentos processados como biscoitos, cookies, muffins, bolos, crackers, snacks, etc., e dar prioridade ao consumo de alimentos frescos e da época é a melhor forma de cuidar da nossa saúde e do nosso coração. Além disso, é importante ler o rótulo dos alimentos, já que, como acabamos de ver, cada vez trazem mais informações sobre a sua composição.

verdure miste in pentola

Felizmente, nem tudo está contra nós, já muitas cadeias de supermercados declararam guerra a esta gordura, retirando das suas prateleiras todos os alimentos que contêm este tipo de óleo, pedindo à indústria alimentar que o substitua.

 ➡ A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar recomenda reduzir a ingestão de gorduras saturadas, não ultrapassando o 10% do valor energético diário. Portanto, deve-se dar prioridade ao consumo de gorduras insaturadas, de preferência monoinsaturadas como o azeite de oliva.” 😉 

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