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Qual é a coenzima Q10? Benefícios e propriedades | NutriTienda

sexta, 1 de janeiro de 2010

A coenzima Q10 ou ubiquinona é uma substância lipossolúvel que joga um papel vital na produção de energia à nível celular. Outro nome que pode receber a coenzima Q10 é ubidecarenona e a sua nomenclatura química é 2,3-dimethoxy-5-methyl-6-decaprenyl-1,4-benzoquinona.

Pertence quimicamente à família das ubiquionas. Esta família está formada por um grupo funcional (1,4 benzoquinona) unido à uma cadeia lateral formada por unidades de isopreno. O número de unidades de isopreno da cadeia lateral dará o nome aos diferentes compostos, isto é, a cadeia lateral da coenzima Q10 está formada por 10 unidades de isopreno.

A coenzima Q10 pode-se apresentar em diferentes estados de oxidação e pode passar de uma forma à outra em função das necessidades corporais:

  • Forma completamente reduzida: ubiquinol (CoQ10 H2)
  • Forma semiquinona intermédia: CoQ10 H
  • Forma completamente oxidada: ubiquinona ( CoQ10)

A coenzima Q10 pode ser sintetizada na maior parte dos tecidos humanos e encontra-se em quantidades importantes no interior das mitocôndrias. Os tecidos com maior teor de coenzima Q10 são aqueles metabolicamente mais ativos como o coração, os músculos ou o sistema imunológico.

Metabolismo Energético.

A coenzima Q10 atua como cofator de diferentes enzimas e está implicada na cadeia de transporte de electrões (doando ou aceitando electrões). Por tanto, a coenzima Q10 apresenta um papel importante na produção de ATP a partir dos alimentos (o ATP é a molécula energética utilizada pelas células para realizar os diferentes processos fisiológicos).

O 96% da produção aeróbica de ATP está relacionada com a coenzima Q10, este pode dar uma ideia da importância desta molécula no metabolismo energético. Órgãos como o coração ou os músculos requerem um teor suficiente de coenzima Q10 para poder produzir energia e força de forma ótima.

Capacidade antioxidante.

Junto com a vitamina E, a coenzima Q10 é um dos antioxidantes de origem lipídico mais importantes. A coenzima Q10 na sua forma reduzida (ubiquinol) considera-se um poderoso antioxidante que contribui para proteger as membranas celulares contra os radicais livres. Por sua vez, o ubiquinol também protege a vitamina E contra a sua oxidação e contribui para repor a vitamina E e a vitamina C gastas.

Para poder ter capacidade antioxidante a coenzima Q10 deve ser convertida à sua forma reduzida (ubiquinol).

Rendimento desportivo.

A prática de atividade física aumenta as perdas de coenzima Q10 e se estas não são compensadas podem dar lugar à baixos níveis de coenzima Q10. Por isso, as pessoas que treinam apresentam níveis mais baixos de coenzima Q10 do que as pessoas sedentárias e isto por sua vez, poderia limitar o rendimento desportivo.

Até a data não foram estabelecidas concentrações recomendadas de coenzima Q10 para a população desportista. No entanto, sim foi estabelecida uma relação direta entre os níveis de coenzima Q10 plasmáticos e o rendimento desportivo, observando-se que à maior nível de coenzima Q10, maior rendimento desportivo.

A estas perdas há que somar também um aumento das necessidades de sintetizar coenzima Q10 como consequência do aumento do número de mitocôndrias no músculo, de modos que as pessoas desportistas têm também, necessidades aumentadas dos nutrientes necessários para a biossíntese da coenzima Q10.

O alto teor de mitocôndrias das fibras tipo I (fibras de metabolismo aeróbico) fazem que o conteúdo de coenzima Q10 seja maior nos músculos com maior proporção destas fibras, assim como em desportistas de resistência.

Outras funções da enzima Q10 têm relação com o sinal celular e a expressão genética.

Deficiências de coenzima Q10.

A coenzima Q10 não se considera uma vitamina, já que o corpo é capaz de a sintetizar. No entanto, uma parte desta é degradada e deve ser compensada pela ingestão dietética. A ingestão de coenzima Q10 habitual é de 5-10 mg e está principalmente na carne, peru e pescado.

Em ocasiões a capacidade de síntese da coenzima Q10 vê-se reduzida ou as necessidades aumentadas, podendo chegar a considerar-se como essencial em algumas situações.

A carência de coenzima Q10 pode ser de origem genético, no entanto, as causas mais comuns de défice de coenzima Q10 são:

Níveis aumentados de coenzima Q10 e alta degradação como consequência da atividade física.

  • Baixa Ingestão de coenzima Q10 na dieta, por exemplo dietas vegetarianas.
  • Síntese reduzida como consequência da carências de outros nutrientes (magnésio, selénio, vitamina B6, etc..).
  • Consumos elevados de vitamina E. (O consumo elevado de vitamina E reduz a captação de coenzima Q10).
  • Terapias com estatinas. As estatinas reduzem a biossíntese da coenzima Q10.
  • A idade é uma das causas principais da redução dos níveis de coenzima Q10 e considera-se que a sua carência é em parte responsável das manifestações da idade.

O tabaquismo é outra das causas e também foram registados níveis reduzidos de coenzima Q10 em diversas condições médicas como doenças cardiovasculares, neurológicas, hipertensão, doenças das gengivas, casos de infertilidade, asma ou imunodeficiências.

A coenzima Q10 utilizada de forma comercial, obtém-se da síntese a partir da coenzima Q9 ou a partir da extração do produto de fermentação de um tipo de levedura.

A pesar de que ambas as formas, oxidada e reduzida, possam passar de uma à outra no organismo humano, existem diferentes opiniões sobre qual é a melhor forma de suplementar a coenzima Q10. Há diferentes opiniões sobre que forma é melhor para a suplementação. Por uma parte ubiquinol (reduzida) parece ser mais biodisponível do que a sua forma oxidada e seria uma forma de poupar ao corpo a transformação na forma antioxidante. Não obstante, alguns autores opinam que a forma ubiquinona é mais estável, fácil de formular e de armazenar.

Benefícios da sua contribuição

A suplementação com coenzima Q10 é capaz de aumentar a concentração de coenzima Q10 no plasma sanguíneo, músculos e fígado. Devido ao seu carácter lipofílico e ao seu alto peso molecular, a absorção de coenzima Q10 varia muito em função da fórmula empregada e o consenso geral é que a forma com melhor absorção é a que utiliza uma base de óleo.

A suplementação com coenzima Q10 tem benefícios potenciais sobre a hipertensão arterial, colesterol, prevenção do dano oxidativo ou a melhora da função cognitiva. No entanto, considera-se que de momento não há estudos suficientes em humanos e sob os critérios adequados para poder realizar essas afirmações de forma geral e em pessoas sem carências.

Atividade física.

As concentrações de coenzima Q10 podem diminuir como consequência do treino intenso ou de treinos prolongados. No entanto, durante muito tempo os resultados dos estudos da suplementação com coenzima Q10 realizados em atletas, foram contraditórios e sem resultados conclundentes, de modos que alguns autores propõem que estes podem ser devido ao uso de doses baixas de coenzima Q10.

A quantidade ótima para pessoas desportistas todavia não se conhece, mas crê-se que as pessoas desportistas poderiam necessitar quantidades superiores como consequência de ter uma atividade metabólica aumentada. Também, os estudos realizados só observaram melhoras no rendimento nos atletas que alcançaram um mínimo de 2,5 µg/ml e de preferência mais de 3.5 µg/ml. Para elevar os níveis de ubiquinol no sangue até níveis de 6-8 µg/ml são necessários 300 mg/dia de coenzima Q10, enquanto que para eleva-los até 8-10 µg/ml são necessárias quantidades de 450-600 mg/dia.

Embora ainda seja necessário mais investigações para conhecer todos os fatores que podem afetar à suplementação com coenzima Q10, conta-se já com estudos que apoiam que a suplementação com coenzima Q10 pode reduzir o dano muscular em alguns atletas. Além disso, a suplementação com coenzima Q10 poderia melhorar o consumo máximo de oxigénio ao aumentar a concentração de coenzima Q10 nas mitocôndrias, assim como a suplementação com ubiquinol poderia melhorar a capacidade antioxidante dos desportistas.

Também observou-se melhorias relacionadas com o metabolismo anaeróbico. Um estudo realizado em atletas olímpicos alemães obteve um aumento de 2.5 % na potência máxima. Apesar de não se conhecer exatamente o mecanismo pela qual teve lugar a melhora do rendimento, a hipótese dos autores é de um possível aumento da produção de ATP e creatina fosfato, o que a maior concentração de coenzima Q10 poderia haver contribuído à um maior aporte de energia pela via oxidativa com uma menor produção de amoníaco.

Os atletas que treinam de forma intensa deveriam controlar os seus níveis de coenzima Q10, e recomenda-se a sua suplementação quando os níveis forem baixos. Os desportistas de maior idade assim como os pouco treinados, seriam os mais beneficiados pelas melhoras do rendimento com coenzima Q10. A idade diminui a concentração de mitocôndrias e o seu teor de coenzima Q10, enquanto os músculos pouco treinados estão menos adaptados à troca de substrato energético durante a atividade.

Relacionou-se a suplementação com coenzima Q10 também com outros efeitos como o aumento da utilização das gorduras quando se realiza um exercício de baixa intensidade. O estudo realizado na universidade de Tóquio analisou o consumo de coenzima Q10 e nos resultados do estudo observou-se que para o mesmo grau de esforço, no grupo suplementado viu-se aumentada a oxidação das gorduras.

A pesar dos diferentes estudos que se vão divulgando, de momento na Europa não é possível fazer associações entre o consumo de coenzima Q10 e a saúde, capacidade antioxidante ou a melhora do rendimento.

Anti-aging.

Com a idade, a capacidade de sintetizar coenzima Q10 vê-se reduzida. A coenzima Q10 é utilizada para tratar de contrabalançar os efeitos da idade, devido à sua capacidade antioxidante e pelo seu papel no metabolismo celular.

Aplicações clínicas.

A coenzima Q10 foi estudada em doenças cardiovasculares com o fim de melhorar a função cardíaca, melhorar a contratilidade e também pela sua capacidade antioxidante na prevenção da oxidação do colesterol LDL.

O tratamento para reduzir os níveis de colesterol plasmáticos com estatinas pode reduzir a síntese de coenzima Q10, gerando miopatías e os casos mais graves rabdomiolise. A suplementação com coenzima Q10 eleva os níveis de coenzima Q10 e resulta um bom complemento durante o uso de estatinas.

Outros usos clínicos da coenzima Q10 são as alterações neurológicas como o Parkinson (os pacientes com Parkinson costumam apresentar níveis reduzidos de coenzima Q10). Embora os resultados dos estudos são esperançosos, ainda é necessários mais estudos para conhecer as doses ótimas e os possíveis benefícios para estas pessoas. Outros campos de aplicação que se está a investigar são a diabetes, desordens mitocondriais, enxaqueca ou a asma. Também utiliza-se como coadjuvante no tratamento para o cancro para reduzir a toxicidade dos tratamentos de quimioterapia.

Por último, estudos recentes relacionam o consumo de 200 mg de coenzima Q10 com uma melhora da morfologia e mobilidade do esperma nos homens com alterações da fertilidade, também encontrou-se níveis baixos de coenzima Q10 em pessoas com fibromialgia que responderam satisfatoriamente à suplementação reduzindo-se a sensação de fatiga. É também utilizada em cremes de uso tópico para o cuidado da pele.

Dosagem

A dose habitual para a população geral é de 60-200 mg/dia de coenzima Q10 repartidas em diferentes tomas ao longo do dia. No entanto, para que a suplementação com coenzima Q10 seja efetiva na melhora do rendimento é necessário aumentar a concentração plasmática em quantidade suficiente e durante o período de tempo suficiente para que os músculos possam captá-la. Para aumentar a quantidade de coenzima Q10 muscular são necessárias doses de 200-300 mg ao dia ou incluso doses superiores durante pelo menos 4-12 semanas.

Parece que existe uma variabilidade importante na resposta à suplementação com coenzima Q10 e que esta possa dever-se aos níveis de coenzima Q10 presentes em cada pessoa, de modo que as pessoas com níveis baixos de coenzima Q10 responderiam melhor aos efeitos da suplementação com coenzima Q10.

A atividade física favorece a captação de coenzima Q10 desde o plasma até os músculos.

As doses para as aplicações clínicas costumam ser superiores, mas deve ser um especialista da saúde quem recomende a dose mais adequada para cada caso.

Precauções

A coenzima Q10 é um nutriente considerado como bastante seguro inclusive em doses elevadas. A segurança do seu consumo em altas doses e a longo prazo foi bem documentada em humanos e se considera uma alternativa saudável à outras ajudas ergogénicas, como por exemplo a cafeína que não pode ser utilizada por pessoas sensíveis aos estimulantes ou com alterações cardíacas.

Em raras ocasiões, foram registados transtornos gastrointestinais como náuseas, anorexia ou erupções na pele após a suplementação com coenzima Q10 (menos de 1%). Quando se consome quantidades superiores à 100 mg/dia, recomenda-se dividir a dose em várias tomas para minimizar os possíveis efeitos secundários.

O nível de segurança da coenzima Q10, nos que não foram observado riscos para à saúde, alcança as 1200 mg/dia, mas foram utilizadas doses inclusive de 3.000 mg/dia sem efeitos secundários.

Em casos de pessoas que sofrem de alguma doença, deve ser o seu médico ou um profissional da saúde quem aconselhe se o uso de coenzima Q10 é apropriado ou não, e no caso de ser as doses que se devem administrar.

Teoricamente, a coenzima Q10 pode reduzir os níveis de pressão arterial, sendo assim, recomenda-se que as pessoas que tomam medicamentos para a pressão arterial terem precaução com o seu consumo. Pela mesma razão, recomenda-se cessar o seu uso pelo menos 2 semanas antes de ser submetido à uma cirurgia.

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